Mórbido amor
S
eus olhos brilharam quando ela viu aquele corpo, com as pontas dos dedos ela podia sentir a pele ainda macia, sentir o calor daquele corpo, era um belo corpo, e estava totalmente despido. Camille começou a alisar o peito, os braços, as pernas, sentir cada músculo, seu corpo tremia de prazer. Com os lábios ela sentia o sabor, era algo inexplicável, ela sentia muito prazer naquele momento, o beijo, o sabor dos lábios gelados. Ela também se despiu, e deitou-se sobre o corpo do jovem. Estava muito excitada. O prazer só dependia dela. Ela beijava, lambia, acariciava cada parte do jovem rapaz. Ela fazia movimentos suaves, simulando uma penetração impossível.Enquanto se esfregava, e gemia de prazer, ela olhava para Marcos que estava sentado no canto da sala, assistindo tudo, se masturbando, ele adorava ver aquilo... Mas já era tarde e ele pediu que terminasse. Os familiares já estavam na sala ao lado, esperando o ente querido... Marcos tinha que terminar os preparativos, maquiar e vestir o falecido. Camille deu-lhe um beijo de agradecimento por mais uma noite de prazer, e se foi...
Camille e Marcos se conheceram no colégio, eles sempre tiveram muita afinidade, ela sempre foi uma garota bonita, loira, magra, pele pálida, sempre com roupas escuras, o cabelo curto, introvertida, não tinha amigos. Era chamada de esquisita porque não compartilhava dos gostos das outras meninas. Marcos era um rapaz magro, alto, cabelo comprido, era chamado por todos de "mortão", também não tinha muitos amigos, ele gostava de rock, sempre estava com camiseta de suas bandas favoritas The Cure, Joy Division, The The. Sua balada favorita era o cemitério, foi ele que levou Camille para passar a primeira noite em um, lá eles conversavam, fumavam, Marcos tocava seu violão... O cemitério era a segunda casa deles. Foi lá que começaram a trocar carícias, a se conhecer melhor... Cemitério da Saudade o único daquela pequena cidade, era muito tranqüilo, sexta-feira era ideal pra passar a noite, o zelador e também coveiro sempre estava embriagado, e logo ia dormir. Assim o cemitério era só deles...
Os anos passaram e a amizade dos dois era cada vez mais forte, após o colégio Camille começou a fazer faculdade, e Marcos conseguiu um emprego inusitado, trabalhar na funerária que era ao lado do cemitério, sua função era preparar o defunto, deixar tudo arrumado.
Era um emprego tranqüilo, até mesmo porque não se morria muito em Joanopólis, cidade pacata do interior de São Paulo, quando tinha corpo, a funerária ligava pra ele. Era quase como um freelancer, ganhava por corpo. As vezes reclamava que não tinha morrido muita gente no mês.
Camille passava o dia estudando, morava sozinha em um apartamento que seus pais tinham lhe dado. Após ela completar o colégio, e entrar na faculdade seus pais foram cuidar do sítio em Minas Gerais.
Marcos sempre contava pra Camille sobre os corpos que chegavam, os detalhes de cada falecido. As vezes ele não se continha e tocava o corpo das garotas que ali chegavam, ele dizia pra ela o prazer que sentia ao fazer carícias em cadáveres... Foi com ele que ela aprendeu o que significa necrofilia - Perversão sexual que leva certos indivíduos a saciar os seus instintos sexuais em cadáveres.
Ela se interessou pelo assunto e começou a freqüentar as frias madrugadas na funerária com ele.
Camille não sabia onde estava se metendo...
2ª Parte
Ela estava quase dormindo em cima dos livros quando o telefone tocou, com preguiça ela estendeu o braço até o telefone, esbarrando no seu apanhado de livros e anotações.
"Droga! A-Alô..." – esbravejou tentando com a outra mão segurar os livros que despencavam.
"Oi Ca, poxa te acordei né? Você nem parece mais aquela criatura da noite, que varava a madruga no cemitério comigo." – disse Marcos
"Desculpa, sei que não tenho te ligado, mas é que está tão corrido. Mas não faz tanto tempo assim, estive com você na semana retrasada." – respondeu Camille enquanto tentava organizar o amontoado de livros em cima da escrivaninha.
"Ah... É que me acostumei com sua companhia nas férias, agora sinto sua falta. E hoje tem algo muito bom pra você!"
"Hummm... Encomenda nova no cemitério? É conhecido?"
"Você lembra do Ernesto da farmácia?" – perguntou Marcos
"Vagamente, mas não vejo nada de interessante nele..." – respondeu Camille.
"Não! É o filho dele, o Tony ele sofreu um acidente de moto. Ele estava passando as férias aqui, mas agora vai ficar pra sempre. Vem pra cá garanto que você vai gostar."
"Ah sim! Me lembro do Tony, ele foi estudar em São Paulo. Tá bom, estou precisando me distrair um pouco mesmo, tô de saco cheio de ficar em casa. "
Camille desligou o telefone, se arrumou rapidamente e foi ao encontro de Marcos. Ela morava há alguns minutos do cemitério, era só atravessar a estrada, cruzar a ponte do rio, descer a rua da igreja e "voilà".
Ao chegar no cemitério ela encontrou Seu Ernesto e sua mulher sendo consolados por dona Maria "vela morto" e dona Edna, figurinhas tarimbadas de velórios, não perdiam um funeral, elas passavam mais tempo na igreja e no cemitério do que em suas casas. Camille cumprimentou rapidamente os pais do falecido, saiu da sala e foi até a funerária, na verdade uma sala a parte do cemitério. Marcos sempre deixava a porta dos fundos aberta quando recebia a visita de Camille. Ela deu a volta com cautela, sempre preocupada em não ser notada, quanto mais risco mais excitação, toda essa sensação de perigo a cativava.
"Que bom que você chegou, temos uns 20 minutos." – disse Marcos olhando para o relógio –"Você lembra do Tony? Aqui está..."